Os de hoje

segunda-feira, 11 de agosto de 2008


Acompanhemos destas paragens suburbanas, trópicos de tantos outros trópicos, o suposto de miragens-filosóficas-indígenas que nos acalenta com o mais terno mito. E comecemos por ele, o mito fundador, que me arrasta par as esquinas sem beiras, que me entope de gozo, primaveras a roçar os nossos cílios, para sempre. O sempre do tempo oportuno (a nossa única pragmática), da bonança. Tu sentes esse tempo, irmão? Somos os primeiros homens, não há para trás pra nós. Nem pra frente.Comecemos do alto, costume pra respirar ar vivo:A primeira das questões na ponta de lança do ataque em transe dos Tupinambás. Está consubstanciada na carne de Cristo, bocas e bocas a tocar às chagas – gozo católico, meu e seu também. E vem como um estouro na calmaria das selvas de coca colombianas, resignada na boca de um aymará, a provocar distúrbio. Tu sentiste também no peito a altura destes Andes que nos metemos?


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Teatro cotidiano.

domingo, 10 de agosto de 2008


Sim. É isso, resolvi escrever, por que é mais que vício ou qualquer outra paixão anônima, no redemoinho dos sentimentos sem essência.
Cada espaço em branco – um banco na espera do vocábulo órfã de sentido.
Os dedos deslizam no afã, de alcançar o pique do coração; que guarda os passos dos moços desalinhados.
Os olhos seguem a fumaça, em busca do sabor da infância que sempre vem à tona, nos momentos em que é mãe.
Segura a barra da saia. Chora no pano de prato. Ensaia os beijos em cima da panela de feijão.
Afia a faca, mas corta o pedaço de frango. Pois já aguaram, seus planos e ainda resta esperança na ponta dos pés.
Sangra o segredo, na sacola de plásticos. Enquanto abre a lata de remédios, que curam a azia do dia com poucas vírgulas e nenhum ponto.

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Simples.

domingo, 13 de julho de 2008

Desfazer a mecânica dos atos;
a repetição dos vocábulos.
Sistemas desabam nos narizes.
Risadas nas bordas das saias, os gracejos dos rapazes desengonçados.
Para finalizar: Blues com gelo.

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Pequenas composições

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Paixão armada, escondida no armário. Despudorada e encantada com o horizonte aos seus pés.
Uma poesia no cabelo, o chuveiro quebrado e você no meio dos pratos.
Prantos no chão
Susto e cara de assombro.
Corações adormecidos nas panelas pseudo-modernas.
Chaminés.
Meio fio do poeta, ranger da falta de inspiração. Na madrugada com escritos talhados em seu corpo nú. Após o enlace, devagar rabisco os lábios febris e permaneço de pé na janela.
Sóis cobrem o amargor das dores, que valsam no céu invertido ao olhar dos meninos cegos.

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Pés num riacho.

sábado, 14 de junho de 2008

A tristeza triturou os olhos; vozes embargadas e flores murchas sobre a mesa.
Na porta, a solidão esperava com um riso largo.
Cansada...Muito cansada da vida pequena, de clamores presos no peito e com um terno nó na garganta. Por mim partiria com poucas roupas na mala e levaria também paz de espírito.

Trovoadas estremecem a cabeça, enquanto os amores se esfarelam, nos breves intervalos a essência do que eu era me aproxima da velocidade do bater das assas de um beija – flor.

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