Amigos...

sexta-feira, 19 de setembro de 2008


O se deixou levar por um novo navio utópico.
A Juliana bordou estrelas para salvar os inocentes, Gláucia retomou a alegria de ser ela mesma, sem máscaras e tantas dores nas costas. Tao abriu um cinema no cimento, Tiago e Jose são bons alicerces, Ivi é a tia do Universo e da festa.
Ah, Jobson pariu o novo mundo.
Bia zela pelo jardim auto-gestionário, Pedro construtor de sonhos e Xamã da Vila.
Igor tornou-se o tempo, e ensina às crianças a nunca perderem a vontade de continuar sem tantas complicações.
Rodrigo do Ó ficou perdido na floresta dos sem ninguém e renasceu sã. Milita de forma afetuosa, mas sem perder o foco.
Luizinho, Tati e Leo não distinguem mais as vidas de outras coisas, vêem o mundo como uma grande cozinha. Em suas veias circulam poesia, luta e amor.
Luciana e Lourdes compartilharam paciência, simplicidade e ainda sim continuaram fortes como bambu. Guardiãs do bom viver!
Orlando queimou seu deserto, inovou em termos, afogou na imensidão vermelha os venenos que ingeria. Deu movimento e concretude para seu caminhão de idéias.
Pedrinho se fundiu com a luz e virou música, para ser a força que move as ações.
Mira: uma estrela que não cega e luta não só por ela. Coragem e estratégia num só ser, coisa rara!
Glauber e Lygia – Licença poética, mar, deuses, chuva, vento e sementes. Resultado disso: Seres ensolarados e caminhos sem pressa.
Gabi reabriu as janelas dos sonhos impossíveis. Amou até sangrar, colheu os silêncios, vagou, sambou e deixou a solidão na esquina vendaval.
Marcelo e o silêncio, disseram tudo. Deixou um hiato; que refinado hoje é amizade.
Thiago e Carlos Contente são artistas sem muralhas e mofos, que possuem os artífices quadrados.
Ana é a fibra que faz vibrar os corações endurecidos.
Nico: um pássaro, com as asas afiadas e agilidade sem estardalhaço.
Luiza desabrochou no Inverno. Reinventa o mundo para os pequeninos.
Mariluce recria as letras, libertou o papo fraco e cheio de pudor, que ficou engavetado no caixa dos botecos.
O Sexo é tão profundo e saudável, que se pode falar alto sem olhares punitivos.
Lucia é a guerrilheira mais humana, ri e ama com certeza, como Che Guevara.
Cássio, João e Mephisto abrigam: Comunistas e sonhadores remendados. São livros não acabados, amores para sempre.
A Palestina, após litros de sangue derramado; é um imenso território. Nele cabem: Judeus e outros indivíduos semimortos pelas guerras.

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Instantes

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Essa poesia, é uma parceria com o rapaz, que escreve nesse blog.

Escrever assim triste pode não ser a melhor maneira de refazer o cotidiano ou repensar como salvar os outros, das ira dos Deuses.

A mirar o infinito, no final dos nossos pés, fito um quadro de Frida Khalo; dentro de mim um grito e imagens despedaçadas da minha solidão; antecipada e profetizada, por lábios, tingidos de fel.

Livros queimados, por leituras atentas e mãos aflitas, por compreender como unir letras e a realidade. Enquanto isso, no meu ventre sonhos e dores se encontram para dançarem a valsa da despedida e minutos depois o sangue escorreu e um vento forte abriu a janela, que já se encontrava entreaberto como o suspiro de meus olhos.

O respirar tornando-se canção no ritmado desespero de meu peito, era o final palpável da busca por uma rendição dos meus receios, esses agora que parecem tão pequenos, diante da confirmação de que deveria entender que espelhos existem nos olhos de todos que nos cercam.

Que o vento mova meus pêlos, mesmo os mais ínfimos espalhados pelo antebraço, cílios, ventre e púbis. Nessa dança eu sorrio pelo arrepiar da pele que corre contrariada a lembrança dos toques do passado, que não poderiam mais desejar, cobiçar ou humilhar a pele que esfria.

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vida - multiversidade - vida

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Por que se suicidam as flores quando se sentem amarelas?
Pablo Neruda.


Já se disse da História mais do que sobre a vida. Teorizou-se bastante ao ponto de cindir o mundo das letras do mundo das paixões cotidianas. Fez-se da abstração o sentido último da atividade pensante como se atividade tivesse sentido e conforto na imobilidade de um ponto.Pontinhos de interrogação vertidos em alunos encharcam as instituições de ensino superior todos os anos ou semestres com a curiosidade própria da juventude que em qualquer tempo quer estar à altura de seu tempo para ver adiante. Universidade, capela que vela o conhecimento criado pela humanidade. Bendito carneiro, que promete com sua expiação um mundo abastado de trigo e canto – feliz. “Veremos outras matizes de cores”, dizia eu para um amigo quando me fiz estudante de história.

Nada sabia sobre um maldito consenso gerado em outras terras que afirmava que a vida em todas as suas dimensões era vendável. Paulo Freire e sua utopia revolucionária? Besteira. Da educação se fez um pacote, mercadoria de vitrine, e os educadores atônitos embarcaram no projeto covarde das milícias empresariais. Mais uma vez a vitória do abismo que separa o labor especulativo da vida concreta dos povos. Voltamos à escolástica medieval? Quase, entramos na Idade da pragmática do cálculo que mensura custo e benefício a serviço de uma produtividade estéril, intragável e intraduzível. Ontem, as letras a serviço da prova racional e inconteste da existência de Deus. Hoje, os esforços para aplacar a fúria do Deus-Mercado.

No meu périplo pelo mar da História-Institucional esbarrei-me em muitas dificuldades, sobretudo, no falar tóxico dos intelectuais de gabinetes, gente feia que seduz somente os fracos de espírito. Uma mórbida fixação pelo falar enrolado que diz mais do grupo hermético orgulhoso de seu lugar no mundo do que sobre História e as implicações desse saber para a vida. Dificuldades outras, de adaptação mesmo quando constrangimentos alheios prescreviam minha ética condenando-me ao embotamento. Assédios morais, para os que se viciaram na linguagem dos copistas modernos. Queria cores - estudante de história, enorme ponto interrogação: Deram-me a assepsia de um conhecimento aplicável aos interesses do meu umbigo desde que ele seja compatível aos interesses do mercado.

Geração do Consenso, nascidos após o expurgo dos anos de chumbo, o que faremos? As folhas amarelas insistem no vermelho que não há mais. Já hipotecaram o coração. Mas o vermelho é o mesmo que correu das veias dos antigos avós, amor que não se agüenta: violenta o mundo criando caminhos. Diversos, in-versos... alunos vertidos poetas, apanhadores de sonhos dos tempos passados, portanto, do tempo por-vir. Historiadores... Mais que isso, revolucionários... crianças a construir castelos para destruir. Ociosos.

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Os de hoje

segunda-feira, 11 de agosto de 2008


Acompanhemos destas paragens suburbanas, trópicos de tantos outros trópicos, o suposto de miragens-filosóficas-indígenas que nos acalenta com o mais terno mito. E comecemos por ele, o mito fundador, que me arrasta par as esquinas sem beiras, que me entope de gozo, primaveras a roçar os nossos cílios, para sempre. O sempre do tempo oportuno (a nossa única pragmática), da bonança. Tu sentes esse tempo, irmão? Somos os primeiros homens, não há para trás pra nós. Nem pra frente.Comecemos do alto, costume pra respirar ar vivo:A primeira das questões na ponta de lança do ataque em transe dos Tupinambás. Está consubstanciada na carne de Cristo, bocas e bocas a tocar às chagas – gozo católico, meu e seu também. E vem como um estouro na calmaria das selvas de coca colombianas, resignada na boca de um aymará, a provocar distúrbio. Tu sentiste também no peito a altura destes Andes que nos metemos?


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Teatro cotidiano.

domingo, 10 de agosto de 2008


Sim. É isso, resolvi escrever, por que é mais que vício ou qualquer outra paixão anônima, no redemoinho dos sentimentos sem essência.
Cada espaço em branco – um banco na espera do vocábulo órfã de sentido.
Os dedos deslizam no afã, de alcançar o pique do coração; que guarda os passos dos moços desalinhados.
Os olhos seguem a fumaça, em busca do sabor da infância que sempre vem à tona, nos momentos em que é mãe.
Segura a barra da saia. Chora no pano de prato. Ensaia os beijos em cima da panela de feijão.
Afia a faca, mas corta o pedaço de frango. Pois já aguaram, seus planos e ainda resta esperança na ponta dos pés.
Sangra o segredo, na sacola de plásticos. Enquanto abre a lata de remédios, que curam a azia do dia com poucas vírgulas e nenhum ponto.

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