Instantes
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Essa poesia, é uma parceria com o rapaz, que escreve nesse blog.
Escrever assim triste pode não ser a melhor maneira de refazer o cotidiano ou repensar como salvar os outros, das ira dos Deuses.
A mirar o infinito, no final dos nossos pés, fito um quadro de Frida Khalo; dentro de mim um grito e imagens despedaçadas da minha solidão; antecipada e profetizada, por lábios, tingidos de fel.
Livros queimados, por leituras atentas e mãos aflitas, por compreender como unir letras e a realidade. Enquanto isso, no meu ventre sonhos e dores se encontram para dançarem a valsa da despedida e minutos depois o sangue escorreu e um vento forte abriu a janela, que já se encontrava entreaberto como o suspiro de meus olhos.
O respirar tornando-se canção no ritmado desespero de meu peito, era o final palpável da busca por uma rendição dos meus receios, esses agora que parecem tão pequenos, diante da confirmação de que deveria entender que espelhos existem nos olhos de todos que nos cercam.
Que o vento mova meus pêlos, mesmo os mais ínfimos espalhados pelo antebraço, cílios, ventre e púbis. Nessa dança eu sorrio pelo arrepiar da pele que corre contrariada a lembrança dos toques do passado, que não poderiam mais desejar, cobiçar ou humilhar a pele que esfria.
Read more...vida - multiversidade - vida
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
Por que se suicidam as flores quando se sentem amarelas?
Pablo Neruda.
Já se disse da História mais do que sobre a vida. Teorizou-se bastante ao ponto de cindir o mundo das letras do mundo das paixões cotidianas. Fez-se da abstração o sentido último da atividade pensante como se atividade tivesse sentido e conforto na imobilidade de um ponto.Pontinhos de interrogação vertidos em alunos encharcam as instituições de ensino superior todos os anos ou semestres com a curiosidade própria da juventude que em qualquer tempo quer estar à altura de seu tempo para ver adiante. Universidade, capela que vela o conhecimento criado pela humanidade. Bendito carneiro, que promete com sua expiação um mundo abastado de trigo e canto – feliz. “Veremos outras matizes de cores”, dizia eu para um amigo quando me fiz estudante de história.
Nada sabia sobre um maldito consenso gerado em outras terras que afirmava que a vida em todas as suas dimensões era vendável. Paulo Freire e sua utopia revolucionária? Besteira. Da educação se fez um pacote, mercadoria de vitrine, e os educadores atônitos embarcaram no projeto covarde das milícias empresariais. Mais uma vez a vitória do abismo que separa o labor especulativo da vida concreta dos povos. Voltamos à escolástica medieval? Quase, entramos na Idade da pragmática do cálculo que mensura custo e benefício a serviço de uma produtividade estéril, intragável e intraduzível. Ontem, as letras a serviço da prova racional e inconteste da existência de Deus. Hoje, os esforços para aplacar a fúria do Deus-Mercado.
No meu périplo pelo mar da História-Institucional esbarrei-me em muitas dificuldades, sobretudo, no falar tóxico dos intelectuais de gabinetes, gente feia que seduz somente os fracos de espírito. Uma mórbida fixação pelo falar enrolado que diz mais do grupo hermético orgulhoso de seu lugar no mundo do que sobre História e as implicações desse saber para a vida. Dificuldades outras, de adaptação mesmo quando constrangimentos alheios prescreviam minha ética condenando-me ao embotamento. Assédios morais, para os que se viciaram na linguagem dos copistas modernos. Queria cores - estudante de história, enorme ponto interrogação: Deram-me a assepsia de um conhecimento aplicável aos interesses do meu umbigo desde que ele seja compatível aos interesses do mercado.
Geração do Consenso, nascidos após o expurgo dos anos de chumbo, o que faremos? As folhas amarelas insistem no vermelho que não há mais. Já hipotecaram o coração. Mas o vermelho é o mesmo que correu das veias dos antigos avós, amor que não se agüenta: violenta o mundo criando caminhos. Diversos, in-versos... alunos vertidos poetas, apanhadores de sonhos dos tempos passados, portanto, do tempo por-vir. Historiadores... Mais que isso, revolucionários... crianças a construir castelos para destruir. Ociosos.
Os de hoje
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
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Teatro cotidiano.
domingo, 10 de agosto de 2008
Sim. É isso, resolvi escrever, por que é mais que vício ou qualquer outra paixão anônima, no redemoinho dos sentimentos sem essência.

